Devaneios de um Caminhante Solitário

27 fevereiro, 2006

O Estado da Nação

Ponto prévio: Sou frontalmente contra tudo o que se relaciona com fanatismos políticos, contra o ser de “direita só por se ser de direita, ou de esquerda só para se dizer que se é de esquerda”. Acho que, acima de tudo, se deve compreender e fazer uma opção lúcida mas livre da política ou daquele partido em que, num dado momento, se apresente como o mais adequado. Para fanatismos serve, por exemplo e, entre outros, o futebol, enquanto catalizador de emoções e crenças que, por vezes, atingem o irracional – mas até isso (desde que não se extravase para a política) pode ser importante numa sociedade cada vez mais mecanizada e globalizante.

Cabe-me por isso fazer também, um pouco, aquele papel – por vezes ingrato – de defesa do governo e de quem o dirige neste momento. Eu digo ingrato porque, como se sabe de senso comum, é sempre muito mais aprazível a crítica fácil, as “piadas sem graça”, enfim, o “destruir em vez do construir”.
Defendo o Governo porque, ao contrário da ideia preconizada de um certo laicismo financeiro característico dos partidos de esquerda, as políticas governamentais actuais têm-se pautado por um rigor – quiçá nunca visto antes em Portugal – e por um rumo bem definido capaz de “dar a volta” ao grave período de crise que se vive hoje em dia (e que, recordo, abrange não só o nosso país mas como o resto do mundo, e é uma herança de sucessivos desastres políticos que Portugal - pobre país o nosso - tem sofrido). Assim, é possível caracterizar a acção do governo por três preceitos que se apresentam como fundamentais: o reequilíbrio das finanças públicas (sem, contudo, se reduzir a isso, sem ter uma obsessão restritiva pelo défice); a promoção da qualificação das pessoas; e a garantia da sustentabilidade do Estado Social, do Estado prestador dos serviços essenciais aos cidadãos (adaptando-o à realidade moderna).
Para efectivar estes três objectivos primários, o governo tem seguido uma política de rigor orçamental, tão elogiada pela U.E., e que se estima reequilibrar as finanças até 2008. Além disso, tem investido na modernização do país através de diversas opções como o Plano tecnológico, a reforma educativa e administrativa, o incentivo económico realizado através da modernização de infra-estruturas, enfim, um conjunto de soluções que impor-se-ão no futuro mas que tem já dado frutos como a crescente captação de investimento estrangeiro e recursos comunitários, mas também no aumento de confiança dos portugueses no seu próprio país.

A oposição, como é prática (re)corrente das oposições nos últimos anos, critica. Contudo, não se sabe de uma única medida capaz de poder ajudar a solucionar a crise. São críticas mesquinhas, infundadas e, muitas vezes, injustificadas. Na realidade actual em que é de extrema importância assumir compromissos e criar riqueza, era necessário haver mais consensos de todos os partidos para que, de uma vez por todas, estes se assumam como “oposição responsável”, uma oposição que não anseie desesperadamente o poder mas que colabore com um governo maioritário, eleito democraticamente pelos portugueses, na construção de um Portugal melhor.