Devaneios de um Caminhante Solitário

01 março, 2006

O Carnaval

“Celebrou-se” ontem aquilo a que se convencionou chamar de “Entrudo”, vulgo, “Carnaval”. Confesso que, a par de outras “míticas” datas como os dias dos Pais, das Mães, dos cães ou outros assim, o dia de Carnaval irrita-me profundamente. Nunca o celebrei efusivamente enquanto criança, e, à medida que o tempo passa, cada vez menos prazer tenho em tão “solene” data. Odeio toda a envolvência gerada à volta destes acontecimentos “merchandisingados” que só leva o pobre cidadão ao mais puro pecado capitalista – o consumismo feroz. Odeio toda aquela plagiada alegria festiva exacerbada hipocritamente nos tão concorridos desfiles e, no seu expoente máximo, nos reis ou rainhas do Carnaval, verdadeiros palhaços (mo sentido literal da palavra) em todo este verdadeiro circo.
Este desprezo que tenho pelo Carnaval – quiçá só comparável àquele que tenho pelos Dias de “qualquer coisa”, como por exemplo, o dia dos namorados – advém não só da incompreensível prodigalidade fomentada pela publicidade e pela sociedade em geral mas também pelo significado que estes dias têm. Sim, estão agora a perguntar-se que significado têm realmente estes dias. A resposta é nenhum, estes dias não têm qualquer significado porque estes dias nada representam (não são dias católicos, não são conquistas sociais, não são rigorosamente nada). O único sentido (e não significado, note-se) possível de se encontrar – mas ridículo em si mesmo – é o de teatralizar as nossas vidas querendo, de certa forma, “disfarçar” os verdadeiros problemas com que a sociedade se debate hoje em dia, mas não deixando de criar eles próprios, outros problemas (como, entre outros, a elevada quantia gasta na preparação de tão disparatados eventos).
Deixemos o Carnaval para o Brasil ou para Veneza, deixemos as tradições para quem as criou ou para quem as vive realmente e não tentemos enveredar por um caminho de consumismo desenfreado que tão poucos resultados úteis tem dado.

P.S. – O único aspecto positivo do dia de ontem foi o facto de não termos de ver esse verdadeiro palhaço chamado Alberto João Jardim nas suas habituais e peculiares figuras carnavalescas uma vez que ontem (só por ontem, descansem!) caiu em si e no ridículo que têm sido todas as suas aparições públicas.
Espera-se que assim se mantenha no futuro (pelo menos até que a Lei de Limitação dos cargos políticas comece a fazer efeito em relação à sua pessoa, ou seja, até nos vermos livres dele de uma vez para sempre!).
Continuação de bom Carnaval.

5 Comments:

  • Caro colega não bata mais no velhinho. Ele está lá e não faz mal a ninguém. Mais uma vez vejo a piada fácil, esperava algo mais perspicaz vindo da sua parte, agora associar o tio Alberto a um palhaço e algo de muito grosseiro. Afinal não podemos andar todos vestidos de fato o ano todo, mais vale vestir a tanga e curtir o dito cujo carnaval em vez de cometer o tais crimes que todos nós sabes, e que ainda precisam de ser explicados. Qual será a justiça da sardinha “estar dentro” e o atum cá fora. Se é de justiça que tanto falamos e se o peixe está podre que se deite todo fora. Falam do Brasil mas em Portugal é carnaval o ano todo! Por falar em carnaval também lhe digo que não é algo que me atraia, não esquecendo que a origem de toda a folia é nossa, afinal o magnífico carnaval do Brasil não passa de copia megalómana das marchas populares lisboetas. Isto era só para elucidar a mente daquele que pense que o povinho português tem a mania de copiar tudo o que vem do estrangeiro. Não esquecendo a coitada da sardinha que nunca se escapa, não tarda estão ai os santos, o que é certo é que ninguém acaba por comer o atum!

    By Blogger Nuno Leitão, at 01 março, 2006 19:13  

  • Em primeiro lugar, Nuno, podes-me tratar por tu.
    Depois, nunca ninguém me irá impedir de criticar quem critico e de ironizar da forma que quero (isso eram outros tempos, antes de um 25 de um mês, que, por acaso, é o próximo). Muito menos em relação ao “Tio João”. Sim, o facto desse senhor ainda ter tempo de antena é algo que me ultrapassa. O facto deste não ser imediatamente interdito (e não apenas inabilitado) também é algo mais que me ultrapassa. O facto desse senhor estar como Presidente (!) de um cargo de tamanha importância na nossa Democracia (note-se bem qual o regime político em que tão nobre povo vive) é algo que, para mim, se afigura insuportável. “Ele está lá e não faz mal a ninguém”… antes não fizesse mas ambos sabemos que quem ouse confrontá-lo naquela ilha, corre o mais que provável risco de vir a sofrer represálias, qual regime ditatorial. Mas, mesmo que ele, de facto, não fizesse “mal” a ninguém, faria a mim ao ter de aturá-lo.
    “Falam do Brasil mas em Portugal é Carnaval o ano todo!” … já referi quem, para mim, é o bobo da corte. Agora sim, não vou bater mais no velhinho, não lhe vou dar essa importância. Em relação ao que disseste do Carnaval ser uma cópia brasileira das marchas lisboetas, ponho as minhas mais sinceras dúvidas. Todavia, não era algo que me espantasse se fosse antes ao contrário, já dizia isto João da Ega n’Os Maias. Pelo menos o estilo, o desfile, esse sim, uma cópia (muito má) feita aos brasileiros.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 01 março, 2006 20:24  

  • "O único sentido (...ridículo em si mesmo..)é o de teatralizar as nossas vidas querendo, de certa forma, “disfarçar” os verdadeiros problemas com que a sociedade se debate hoje em dia(...)"

    nao concordo..k visão tão séria da vida.. pk não afugar, de vez em kd, as mágoas da vida..da sociedade em k vivemos..?

    :) um terço da vida é para rir..amar..todos os prazeres carnais k se kiser(inclusivé gastar dinheiro onde a cada um lhe saiba melhor..!)o outro terço,para esgotar ao máximo os neurónios e a nossa querida memória..e o outro terço..esse sim..é para criar rugas e olheiras..k também sabe bem!

    Tudo tem o seu momento..

    By Anonymous marta valente (mÁrtix), at 02 março, 2006 18:53  

  • Mártix, o problema (não meu, mas daqueles que participam nessas verdadeiras fantochadas) é o de festejar só por festejar, não olhando para isso a uma acentuada prodigalidade que é completamente inaceitável, ainda para mais, numa sociedade portuguesa em crise.
    Além disso festeja-se o quê? O Carnaval? Mas… o que é o Carnaval? Um Santo? Uma conquista social como o dia do trabalhador? É pura e simplesmente uma data, quiçá uma festa pagã. Mas isso justifica tanto alarido? Tantos pais a gastarem rios de dinheiro em fatos de “macacos” para os filhos utilizarem uma vez na vida?
    Para se “rir..amar..todos os prazeres carnais k se kiser (inclusivé gastar dinheiro onde a cada um lhe saiba melhor..!)” façam-no com os amigos, em festas, saídas à noite, encontros… qualquer coisa. Saem mais barato (ou não!) e, pelo menos não tenho de aturar ruas cortadas ao trânsito por causa dos desfiles, nem reportagens da TVI sobre “todos os cortejos de todas as Santas terrinhas do Santo Portugal”.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 03 março, 2006 01:37  

  • "O único sentido (...ridículo em si mesmo..)é o de teatralizar as nossas vidas querendo, de certa forma, “disfarçar” os verdadeiros problemas com que a sociedade se debate hoje em dia(...)"

    Para se “rir..amar..todos os prazeres carnais k se kiser (inclusivé gastar dinheiro onde a cada um lhe saiba melhor..!)” façam-no com os amigos, em festas, saídas à noite, encontros… qualquer coisa. Saem mais barato (ou não!) e, pelo menos não tenho de aturar ruas cortadas ao trânsito por causa dos desfiles, nem reportagens da TVI sobre “todos os cortejos de todas as Santas terrinhas do Santo Portugal”.

    Não possuo autoridade moral para comentar ou criticar as tuas opiniões, mas não resisti, neste espaço mais aberto e acessível, a tecer as minhas próprias considerações sobre estes dois excertos. :)

    Não concordo com a visão que transmitiste das datas "especiais" a que te referiste, por me ter soado particularmente egoísta. Afinal, cada pessoa dá a este ou àquele dia da sua vida um significado pessoal, ou não? Parece-me normal que alguém que não seja, literalmente, um "caminhante solitário" atribua um significado maior ao dia dos namorados do que aquele que o é (se bem me lembro, tu próprio já atribuiste um significado bem maior a este dia do que actualmente), bem como me parece perfeitamente aceitável que as massas aproveitem o feriado de carnaval para fazerem algo para além do rotineiro, seja estar com amigos, ver as marchas ou estar mesmo lá a desfilar. É verdade que vivemos tempos mais difíceis, mas não me parece correcto privar as pessoas das escolhas que devem ficar ao critério de cada um.

    Os dias têm, para mim, o significado que eu lhes atribuo. Não é por serem dias marcados no calendário, festas religiosas ou pagãs, por a Manuela Moura Guedes gostar das marchas do bairro de Alfama ou por as ruas estarem cortadas que o dia vai ser melhor ou pior. A vida continua...

    :P []

    By Blogger Tragamin, at 26 março, 2006 16:51  

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