Devaneios de um Caminhante Solitário

04 março, 2006

Os Cursos Profissionais

Ministério da Educação quer 450 cursos profissionais no secundário até 2010

Se era uma medida tão óbvia como necessária; se era essencial para promover a qualificação dos portugueses e não deixar, entre outros, miúdos “subaproveitados” que acabaram de concluir o 9º ano de escolaridade, em empregos maus e pauperrimamente pagos (isto é, quando os conseguem ter); se era assim uma medida tão simples, por que é que nenhum governo antes a tinha proposto?
E ainda há, com certeza, quem critique…

6 Comments:

  • "se era assim uma medida tão simples, por que é que nenhum governo antes a tinha proposto?"

    Quando veio o 25 de Abril considerou-se que as denominadas "Escolas Industriais" eram mais uma forma de discriminação. Numa tentativa absurda e com graves consequências [basta ver a palhaçada de ensino que temos...], puseram toda a gente "no mesmo saco". No entanto a incompetência de quem fez a reforma foi suficiente para não conseguir distinguir entre "igualdade de oportunidades" e "vocações diferenciadas". Se a igualdade de oportunidades é um direito, com o qual só posso estar de acordo, não se pode exigir que todos tenham as mesmas capacidades ou intresses.

    Porquê só agora? Porque foram precisos mais de 30 anos a ver o ensino a afundar; os alunos a abandonarem precocemente a escola, as prestações humilhantes quando comparadas com a UE, a baixa exigência, etc etc. Foi preciso isto tudo para, finalmente, se chegar à conclusão que algo n estava bem.

    Resta saber se esta solução vai funcionar, se a sua aplicação vai de encontro às necessidades do país.

    Um abraço,

    PDF

    By Anonymous Anónimo, at 04 março, 2006 15:10  

  • Caro PDF,

    É óbvio que estou totalmente de acordo contigo. É óbvio que Portugal estaria politico-económicamente muito melhor se, no período pós 25 de Abril – o chamado PREC – o processo de “desditatorialização” fosse feito de um outro modo, eu diria, “mais civilizado”. A questão que eu coloco é pura e simplesmente, porque é que nenhum governo antes a tinha proposto? Com a democracia plenamente assente já desde 1989 – ou, se quiseres, desde 1985 com a preparação para adesão à então CEE – período em que liderava o governo o agora futuro-presidente, desde essa altura, houve tempo suficiente para optarmos por um ensino qualificado, estruturado, à semelhança do resto dos países da Europa Ocidental (por exemplo, Espanha ou Irlanda, que hoje em dia têm défice 0% ou já têm ganho adicional – e sim, têm auto-estradas…). A opção não foi essa, infelizmente. Todavia, penso que ainda não será irremediavelmente tarde para alterarmos esta situação. Pelo menos a mentalidade do português comum – essa “pobreza franciscana” – começa já a aceitar os cursos técnico-profissionais como, no mínimo, necessários.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 04 março, 2006 20:07  

  • Caro "caminhante": já reparei que por duas ou três vezes o meu caro apareceu no Portugal dos Pequeninos e deixou lá o seu comentário oportuno que, desde já, agradeço. Só duas notas. A primeira para o felicitar por citar Proust e a frase inicial do "à la recherche", bem como a ideia do título do blogue. Depois, e não me leve a mal, no post que dedica à interpelação do PP a Freitas, chama-lhe "interpolação". Num blogue tão interessante, é um lapsus scriptae desnecessário. Um abraço.

    By Blogger João Gonçalves, at 05 março, 2006 16:43  

  • Caro João Gonçalves:

    È claro que não levo a mal! Afinal, ninguém é susceptível de alcançar a “perfeição” e, como é óbvio, aceito as críticas e agradeço as correcções (como costumo dizer, somos "eternos estudantes em busca da mais perfeita aprendizagem"). Todavia, penitencio-me, desde já pelo erro. De facto, foi um lapso puramente “dactilográfico” que, aproveito, desde já, para corrigir (“Interpelação” – com “E” e não “Interpolação” (palavra que também existe mas que, como “acto de introduzir palavras”, não faz, de facto, qualquer sentido no título desse post).
    Em relação a Proust, sempre foi uma das minhas frases preferidas e que, desde muito cedo, quis decorar. Acho que é tão “demasiado” simples como brilhante a forma de começar tão extensa mas magnífica obra.
    Em relação aos meus comentários no “Portugal dos Pequeninos” são fruto de um conhecimento recente, através de um – eu diria, amigo – comum. Acho um “blog”, mercê das divergências essencialmente partidárias que o próprio João Gonçalves já se deve ter apercebido, “merecedor” da minha (praticamente diária) leitura e dos meus comentários, assim eu entenda que são justificados e enriquecedores do próprio.
    Agradeço a sua atenção para com os “Devaneios de um Caminhante Solitário” que, espero, se traduzam também em muitas críticas, opiniões e comentários. Penso que temos em comum (pelo menos isso!) o facto de adorarmos debates. E quanto mais “diferentes” as opiniões sejam, mais interesse e “conteúdo” estes, obviamente, irão ter.
    Um abraço.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 05 março, 2006 18:52  

  • 450? Não há fome que não dê em fartura..

    Claro que a criação de mais cursos profissionais é de aplaudir. Sempre defendi que, dentro do nosso péssimo sistema de ensino, a inexistência de suficientes cursos profissionais (e a pouca importância que lhes é muitas vezes dada) é um dos problemas (certamente não o maior deles, mas tem que se começar por algum lado).

    No entanto, 450 não serão demasiados? Não se estará a optar por uma especialização excessiva? Será que há alunos suficientes para isso? Actualmente, as escolas não abrem turmas com menos de 10 alunos.. Certamente, muitos desses cursos não terão interesse suficiente para os interessados, logo, na prática, não existirão... o tempo o dirá..

    Pedro Malaquias @ http://eupensoisto.blogspot.com

    By Blogger Pedro Malaquias, at 06 março, 2006 03:02  

  • Aí estão… as críticas!
    A inexistência de suficientes cursos profissionais é, de facto, um grande problema do nosso sistema de ensino. Somos dos países da U.E. que menos aposta e mais despreza os chamados “cursos profissionais”.
    450 parece-me, simplesmente, … um número. Podia ser mais, podia ser menos. Mas com mais “escolha” mais fácil me parece cativar os estudantes “subaproveitados” “em empregos maus e pauperrimamente pagos (isto é, quando os conseguem ter)” e “impedi-los” que abandonem a escolaridade tão cedo e tão mal preparados.
    Se estes cursos não cativarem alunos suficientes, muito simples: que não existam. Com tanta variedade, haverá certamente um outro que interesse a esse número (assim tão) mínimo de estudantes.
    Estes 450 novos cursos profissionais ajudarão, evidentemente, a qualificar os portugueses. Pelo menos, a isso se espera.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 07 março, 2006 04:32  

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