Devaneios de um Caminhante Solitário

09 março, 2006

A Tomada de Posse de Cavaco Silva

Cavaco Silva toma hoje posse na Assembleia da República

No dia em que Cavaco Silva toma posse, deixo aqui o meu comentário às eleições do passado dia 22 de Janeiro, escritas num mail (agora readaptado mas sem perder o conteúdo essencial) que enviei a um amigo a congratular-lhe pela vitória do candidato que ele apoiou, hoje, definitivamente, o novo Presidente da República.

“Cavaco é, na realidade, o “Presidente de todos os portugueses” (como os políticos gostam desta “clichet-zada”!) e é preciso retirar elações disso. Como socialista, fiquei obviamente e estrondosamente derrotado, mas, acima de tudo mais, por ser para alguém que, na minha opinião não serve para o cargo que foi eleito. Faltou, todavia, o respeito nessa noite pela pessoa Cavaco Silva, por parte dos derrotados e, claro está, pelo P.S. Não me estou a referir ao bom discurso de minimização da derrota deste último, mas ao “timing” em que este foi feito. Entristece-me como português, como socialista mas, acima de tudo, como profundo democrata que sou, que no preciso momento em que está a discursar Manuel Alegre (em quem não votei) este seja interrompido pela declaração de Sócrates. Esteve claramente infeliz ao contrário do discurso de saída – em grande, como sempre foi ao longo da sua vida – de Soares apesar da derrota e apesar de (finalmente, alguns dirão) finda a sua vida política.

Votei em Soares sabendo que não teria hipóteses (apesar de me ter tentado insistentemente convencer do contrário) de disputar uma segunda volta (que ficou a menos de meia capacidade do Estádio da Luz ou, se se preferir, ao mesmo número de votos que a candidatura de Garcia Pereira obteve…) porque – sem ele o necessitar, afinal quem sou eu? – acho que era meu dever apoiar o Homem neste momento de maior delicadeza da sua vida política para a qual foi, claramente, empurrado. Continuo, todavia, a acreditar piamente que Soares teria muito mais perfil para Presidente do que Cavaco. O lugar de Presidente não é o de Primeiro-Ministro. A sua principal função é a de ser o representante de Portugal no mundo, de fazer com que o país seja respeitado e ouvido, de cooperar com o governo mas deixando para este o cerne da condução política, enfim, ser alguém que tenha experiência e cultura suficientes para ser um exemplo, O exemplo – qualidades que, manifestamente, Cavaco parece não possuir. Reservo, claro, como democrata, o direito ao contraditório e decerto existem argumentos para esgrimir com estes mas, confesso que, por mais rebuscados e certos que sejam, nunca me deixarão sossegado. Cavaco irrita-me profundamente por ser alguém vazio, alguém que faz tudo de um modo encenado pelos estrategas de markting – qual “robot telecomandado” (parece que tem de contar 10 passos para a esquerda e só depois acenar, 10 passos para a direita e então sorrir) – e que depois de sair de uma clara derrota na primeira vitória de Sampaio, antecedidas de um lugar de Primeiro-Ministro em que, com maioria absoluta e com 1 milhão de contos a entrar em Portugal oriundas da então C.E.E. conseguiu a proeza de deixar o país com défice de 9%, aparece agora como um D. Sebastião capaz de, num dia para o outro e sem poderes suficientes para tal, mudar o clima de crise em que se insere o nosso país. Espero contudo para ver, e com a esperança de estar enganado.
Três palavras ainda para Jerónimo de Sousa (os anos que o P.C. perdeu com o outro “cassete”), para o desastroso resultado de Louça de quem muito se esperava (7 / 8 %) mas que por pouco nem subsídio recebia, e para o cada-vez-mais-extinto CDS.”

No entanto, não vale a pena agora “chorar”. Cavaco Silva ganhou as eleições (há que lhe dar os parabéns por tê-lo feito) e, hoje, toma posse como novo Presidente da República, o 19º. Há que nos mentalizarmos que, pelo menos nos próximos 5 (se não forem 10…), Cavaco Silva estará em Belém. Admito, contudo, que, a experiência que, afinal, Cavaco tem, fruto de ter sido primeiro-ministro, contribua para uma cooperação com o governo e com o próprio Parlamento. Acho que, neste momento conturbado de crise económica, a estabilidade, com Cavaco, será uma realidade. O próprio prometeu isso mesmo. O próprio enquadra-se no rumo de recuperação em que o executivo de Sócrates tanto se tem empenhado, ao traçar para o país 5 grandes desafios (criação de condições para um crescimento mais forte da economia portuguesa; a recuperação dos atrasos em matéria de qualificação dos recursos humanos; a criação de condições para o reforço da credibilidade do sistema da Justiça; a sustentabilidade do sistema de Segurança Social e, por fim, a credibilização do sistema político). O próprio P.S sabe com quem está a lidar. Espera-se bom senso de ambas as partes. Afinal, a cooperação é para o bem de Portugal.

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