Devaneios de um Caminhante Solitário

27 março, 2006

V For Vendetta

Fui ontem ver o filme “V for Vendetta” ou, na sua tradução para português, “V de Vingança”. Este filme caracteriza-se não só pela brilhante “dança matrixiana” nos combates (ou não fossem os seus produtores os irmãos Wachowski) mas também pela tentativa de utilizar o filme com um propósito de instaurar um debate sobre a consciência política nas sociedades actual.

A história é até relativamente simples, se atendermos ao facto de ser uma perfeita analogia dos tempos do III Reich, em que um ditador, tal como Hitler, alcançou o poder devido à promessa de solucionar a anarquia instaurada mas cujo objectivo foi, única e exclusivamente, de nunca mais o largar. Nesse tempo de ditadura extremamente opressiva e censuradora em que, novamente muito à imagem neo-facista de controlo absoluto dos meios de comunicação social, surge um mascarado – apelidado apenas de “V” – como uma espécie de “espectro” ressurgido de alguém que, anos antes, tinha também lutado pelos mesmíssimos objectivos mas que foi “apagado” da história, ficando somente alguns vestígios da sua lenda (“Remember, remember, the fith of November”). V é então alguém que se quer vingar de todo um sistema ditatorial e que o transformou, a ele próprio, fruto das experiências médicas de que foi alvo numa prisão (quais experiências “auschwitzianas”) e que o dotaram de uma força sobre-humana. Culto e inteligente, V anuncia o fim do regime e a queda do governo precisamente um ano antes, promessa essa que acaba mesmo por cumprir com a destruição do parlamento – o símbolo desse sistema opressivo.

Mais do que um simples “blockbuster” – que, no fundo é – “V for Vendetta” é um filme que demonstra a terrível “way of living” num regime extremista mas, claro está, também a magia da revolução que instaura a liberdade e a democracia. Mostra que, neste tipo de regime, quando alguém consegue subverter a segurança política e se insurge, faz com que o povo se una num objectivo comum: a liberdade democrática. Afinal, como nos lembra o filme: “People should not be afraid of their governments. Governments should be afraid of their people.”