Devaneios de um Caminhante Solitário

20 abril, 2006

A Paródia Portuguesa

Esta semana tem sido frutífera em termos de episódios que em nada dignificam o nosso país em termos de uma imagem que se quer (pelo menos eu) de credibilidade, bom-senso e… democrática.
Para começar, o défice. As previsões do FMI e Banco de Portugal revêem em baixa o crescimento da economia portuguesa, indicando que as medidas de contenção ainda não estão a reflectir-se nas contas públicas. A ver vamos. Ainda assim acredito que, se se cumprir o défice dos 4,6 %, no final deste ano, o ritmo do reequilíbrio das contas estará dentro dos pressupostos da U.E., isto é, com o défice abaixo dos 3 %, no final de 2008. Pelo menos o Ministro das Finanças não está preocupado. Mas isso é bom ou mau?

Depois, vem o episódio das faltas dos deputados e consequentes, férias antecipadas. Em relação a esta situação já me pronunciei aqui, lamentando que um deputado social-democrata encontrasse a solução com um período de férias pascais para os próprios... deputados! Simplesmente inacreditável. Sobre isto, o Presidente da república (ah! Afinal existe!) nada refere… Portas, esse, refere que a marcação da sessão para sexta-feira é um “convite à ponte”. Por outro lado, Sócrates pede que o PS apresente soluções para o problema das faltas dos deputados. Para o líder da bancada socialista, é simples: a solução passa… “por menos sessões plenárias” o que é bem revelador da vontade com que os deputados trabalham!

No meio de umas polémicas com o ex-director da P.J., o petróleo bate recordes históricos. Mas o que preocupa os portugueses é a morte de um jovem actor, cujo funeral foi transformado num autêntico “reality show”.

Ontem, Carrilho inviabilizou uma proposta do PCP que possibilitaria que cerca de 1.600 trabalhadores a «recibo verde» ou com contrato a prazo se tornassem efectivos, através de concurso público, justificando que “sempre que há escolhas a fazer, orienta-se pelas maiores responsabilidades que tem, e que são na Assembleia da República e não na CML, onde sou simplesmente vereador sem pelouro nem salário”. Não vou, aqui, fazer qualquer tipo de comentários...

Para terminar, hoje, (pelos menos às 22:00 – nunca se sabe o que vai, entretanto, acontecer), para além de um presidente de uma junta de freguesia da Capital ter sido agredido, e do Supremo Tribunal de Justiça ter reduzido as penas de 20 e 19 para 16 e 8 anos, respectivamente, dos culpados (mãe e tio) do bárbaro “Caso Joana”, na Assembleia da República votou-se a Lei da Paridade, uma obscenidade em relação à qual já me tinha pronunciado antes, mas tão pouco sem polémica. De facto, esta não teve a maioria absoluta necessária na primeira votação. Parece que a culpa foi do sistema electrónico que funciona como a sociedade portuguesa em geral. Isto é, mal. Muito mal.

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