Devaneios de um Caminhante Solitário

01 maio, 2006

As Scolarialhadas

Caiu mal – muito mal – as trapalhadas que o ainda (quiçá também futuro ou mesmo já passado) seleccionador português (ou seja brasileiro, como praticamente a totalidade do nosso futebol) efectuou no folhetim “Como rejeitar um convite ultra-multi-mulionário para ser seleccionador inglês”. A Federação inglesa de futebol, parecendo que desconhece a peculiar personalidade do “Filipão” (quem não se lembra do que aconteceu com a possibilidade deste vir a ser treinador do Benfica no período mesmo antes do Euro 2004?), tenta inseri-lo numa das suas insuportáveis “sitcomes”. Como seria de esperar, não teve sucesso. De facto, este “não” seria tudo menos previsível, senão vejamos: Scolari, em Portugal, é pago a peso de ouro para… escolher uns jogadores, ver uns jogos e treiná-los durante 2 meses, de 2 em 2 anos; Scolari, em Portugal, tem sol, tem “marisco à beira-mar”, tem os filhos numa escola da mesma língua materna, tem segurança e, até mesmo, bons jogadores que lhe permitem - por vezes - (todavia não sem com um bocadinho de bom-senso) não fazer tristes figuras nos palcos mundiais; Mas talvez mais importante do que tudo, Scolari, em Portugal, tem uma comunicação social estupidamente dócil quando se trata de lhe fazer perguntas “chatas”, de criticá-lo (porque já inúmeras vezes houve, objectivamente, razões para o fazer), tem dirigentes incompetentes de quem faz tudo o que quer, enfim, tem um crédito junto do povo que lhe permite fazer as suas “birrinhas” e ser arrogante, continuando, mesmo assim, a ser idolatrado.
Todavia, ao contrário do que talvez se possa depreender, sou um claro defensor de Scolari. Para além de ter feito com que Portugal obtivesse resultados futebolísticos nunca antes alcançados (apesar de inacreditavelmente ter perdido a final do Europeu, em casa, e contra essa “potência” do futebol de nome Grécia), acho-o inteligente – o que “num mundo de josés, Valentins, Gilbertos e Jorge Nunos” é (excessivamente) suficiente.

6 Comments:

  • Bemvindo à blogosfera.
    De acordo na generalidade, há que reconhecer que o Scolari conseguiu ter coragem para renovar a selecção, ao afastar alguns que tinham "passe" e, pior ainda, julgavam que eram os donos dos "passes".
    Não vejo com maus olhos a sua continuidade .

    By Blogger tarirari, at 01 maio, 2006 17:45  

  • " que “num mundo de josés, Valentins, Gilbertos e Jorge Nunos” é (excessivamente) suficiente."


    Quando falas de "josés" estás a falar do Mourinho? N percebi.

    By Anonymous PDF, at 01 maio, 2006 22:08  

  • Não. É do Veiga.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 02 maio, 2006 01:11  

  • Ok. Infelizmente tens razão...

    By Anonymous PDF, at 02 maio, 2006 11:09  

  • Gostas do Scolari? Hum... confesso-te que o detesto. Primeiro, detesto-lhe a proa, depois a nacionalidade e, por último, detesto-lhe a incompetência. A final do Europeu teve como mérito único a vitória sobre a Inglaterra. Por alguma razão, a final foi um inaudito Portugal-Grécia. As grandes selecções europeias, findos os períodos áureos, começam a entrar em decadência. A Alemanha pratica um péssimo futebol. A Itália continua a achar que o catenaccio é uma boa táctica. A Holanda tem o mecanismo estragado. A França tem as glórias secas, podres e velhas. Resta Portugal e a Inglaterra. Esta última tem bons jogadores, um campeonato competitivo e um treinador... fraquinho. Por mais que goste do Sven, há alturas em que o acho pior que o Scolari. Quanto a Portugal, tem excelentes valores e dois brasileiros. E esse, para mim, é um grande problema. Chamem-me xenófobo. Quero lá saber! As selecções nacionais foram feitas para os grandes jogadores do respectivo País, não para os "naturalizados". Para os que gostam do argumentozinho Eusébio, relembro-lhes que Moçambique era, na altura, uma colónia portuguesa, ou seja, era, para bem ou para mal, pertença do Estado Português. Para os que preferem o argumentozinho do "Ah, mas todas as selecções fazem isso" respondo com um simples "Não me interessa!". Lá porque a França só vive dos frutos das ex-colónias, bem como a Alemanha, que goza à grande a "herança" turca, isso não significa que Portugal precise de recolher o lixo (não me estou a referir ao povo brasileiro, mas a estes sujeitinhos em especial)das outras selecções. Deco nunca foi à selecção brasileira porque não é suficientemente bom para lá estar. Conclusão? Veio jogar por Portugal. Que raio de mensagem é que isto passa?

    Aproveito este comentário para reiterar o apoio ao adjectivo subjectivo, aquele que vem antes do substantivo. Tomemos como mero exemplo o adjectivo "vulgar". Pode ser utilizado de diversas formas, mas tem por hábito a classificação de, com o perdão da palavra, filhos duma ressabiada meretriz que jogam tão bem ou tão mal que não têm lugar na selecção nacional do respectivo país. No Brasil, por exemplo, têm outra palavra para isso: Liedson. Com sorte, viverei para ver o momento em que Liedson se transformar em Mário Jardel no fim da carreira. Mais baixinho, é certo. Menos gordo, talvez. Mas igualmente estúpido. Sem dúvida.

    Quero aproveitar também para saudar o povo brasileiro. Não tenho nada contra os brasileiros, pelo contrário. Detesto o vosso futebol e abominaria viver nas vossas cidades, mas acho que o sentimento é recíproco. Ah, claro, e detesto o Deco e o Scolari. Mourinho na Luso-Brasileira. JÁ!

    By Anonymous Um tugazito, at 08 maio, 2006 00:14  

  • Tugazito: Gosto do Scolari, sim. Acho-o insuportável (como Mourinho o é também) o que, para treinador de futebol, é um aspecto extremamente positivo. Só assim, se consegue combater os lobbies instalados e motivar os jogadores a ganharem - e daí a antítese.
    Por isso, ainda bem que Scolari é seleccionador português. Para lidar com "gente" como Madaís e Jorge Nunos, é a melhor solução.
    Há que dizê-lo: Scolari foi à final. Apesar de ter conseguido a proeza de a ter perdido frente a essa potência "Grécia", alcançou algo que nunca foi antes alcançado por Portugal nem quando o Rei jogava, nos anos 60. É certo que as "potências" estão em crise, mas isso não pode ser argumento para desprezar a razoável campanha (pelo menos, em termos comparativos). O que dizer das prestações ridículas das potências mas também das de Inglaterra, Espanha e até Rép. Checa?

    Em relação a Deco, sempre condenei a sua chamada à selecção (o mesmo não se passa em relação a um seleccionador), mas acho que, neste caso, foi um oportunismo tipicamente português e que resultou...bem. Deco é, efectivamente, um bom jogador, titular da melhor equipa do mundo e o único nº 10 (depois da saída de rui Costa) que Portugal tem. Não tenhas dúvidas de que será ele, o Ronaldo e + 10. Espero é que seja um caso único.

    Em relação ao "vulgar" jogador que é Liedson, ele não é apenas um "vulgar" jogador mas também um jogador "vulgar" (assim como a comunicação social desportiva é também uma imprensa vulgar). Não conseguem distinguir a diferença entre Liedson ser vulgar (isto é, pouco esperto, brejeiro, burro) de Liedson ser um vulgar jogador (no sentido de que é APENAS jogador e não treinador, dirigente, etc, etc)

    Mourinho é o melhor treinador do mundo. Assim, só daqui a uns anos irá enveredar pela carreira de seleccionador. Antes, espero, será ainda treinador do Glorioso.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 09 maio, 2006 22:41  

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