Devaneios de um Caminhante Solitário

11 maio, 2006

Vai de Carrilho

Manuel Maria Carrilho perdeu as eleições para a câmara municipal. Hoje, com a apresentação do seu livro, Carrilho perdeu novamente: mas desta vez, a oportunidade de estar calado. Sempre foi da minha deontologia pessoal a premissa de que perder é próprio dos fracos. Mas não assumir as nossas derrotas é algo ainda pior. É algo que ultrapassa todo o bom-senso acabando por provocar lesões quase irreparáveis na própria dignidade da pessoa. É essencialmente por esta razão que penso que Carrilho, com este seu livro “Sob o signo da verdade” acabou a sua própria carreira política. Qual será a reacção das pessoas quando Carrilho se apresentar novamente a eleições? Como será tratado por aquilo a que chama de “matilha”? Como é que algum futuro e possível adversário se poderá esquecer das (tristes) figuras que Carrilho fez e que, hoje, teve mais um capítulo?

Todavia, o livro tem a virtude de confirmar algo que já se sabe há algum tempo: Carrilho está encurralado (pela opinião pública, pelos cidadãos e até pelos próprios membros do PS) mas, pior do que isso, está paranóico e a “magicar” conspirações que, de facto, não existem. Sejamos sérios: Carrilho perdeu por culpa própria; Carrilho fez um vídeo de propaganda política com o seu filho recém-nascido por sua decisão (ou, pelo menos, com o seu consentimento); Carrilho não apertou a mão de Carmona, no final do debate, porque ficou ressentido com a estrondosa derrota que sofreu e não conseguiu separar “derrota política” com… “boa educação”; Carrilho fez uma péssima campanha, perdeu todos e quaisquer debates, enfim, não apresentou nada a que eu, por exemplo, como eleitor, acreditasse que iria cumprir. Ainda assim, Carrilho não teve a capacidade para perceber isso. Para mais, Carrilho cometeu o grave erro político de voltar a relembrar uma derrota sua (e por sua única e exclusiva culpa) disparando em todas as direcções e em todos os comentadores.
Carrilho esteve, mais uma vez, mal. Aliás, muito mal. Ainda assim, coerente com “a sua imagem”.

4 Comments:

  • Não fales mal do Voltaire português.

    By Blogger Pedro Malaquias, at 12 maio, 2006 03:32  

  • O Narciso Carrilho parece querer lutar contra a máxima, que diz, que a História não reza dos fracos, no entanto, cada vez que abre a boca, a sua pouca reputação política,se ainda têm alguma, baixa.
    Triste figura a de Carrilho.
    Um abraço.

    By Blogger Armando S. Sousa, at 12 maio, 2006 09:46  

  • Este tipo é do carrilho.
    Nunca o percebi como ministro, nunca o entendi como candidato .
    Há coisas do carrilho.
    Um abraço e desculpa a linguagem.

    By Anonymous VC, at 13 maio, 2006 00:03  

  • Enfim, como ministro penso que até surpreendeu pela positiva. De facto, Carrilho até é um homem inteligente. E é por isso mesmo que, neste momento, a sua forma de pensar, o seu desespero, a sua "teoria da conspiração contra tudo e contra todos" até assusta e é tão grave.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 13 maio, 2006 03:20  

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