Devaneios de um Caminhante Solitário

07 junho, 2006

A Fraude Alqueva

O BE requereu hoje a audição «com carácter de urgência» do ministro do Ambiente em sede de comissão parlamentar, para que Nunes Correia esclareça os planos do Governo para o Alqueva.

Passou um pouco despercebida esta situação, não só nos principais meios de comunicação social como também nos próprios partidos políticos. Só o B.E. (sempre defendi a utilidade deste partido na A.R. – desde que não ultrapasse o número de votantes que actualmente tem, claro -, exactamente para situações deste género) pediu um pedido de esclarecimento ao Governo. Parece que o chamado “novo plano do Alqueva” prevê a instalação de “22.500 (!) camas turísticas e vários campos de golfe”. Se esta situação se confirmar, sinto-me completamente ultrajado, burlado e enganado.
De facto, como é que é possível que o ministro do ambiente que projectou o Alqueva como algo de imprescindível, de fundamental para o próprio desenvolvimento, não só do Alentejo enquanto região mas de todo o Portugal como produtor e exportador agrícola, venha agora, enquanto primeiro-ministro permitir que se modifique por completo para um plano deste calibre? Depois de um dos maiores investimento públicos de sempre feitos no nosso país, depois de se ter entrado na megalomania do “maior lago artificial da Europa”, veio-se a concluir, hoje, que tudo não passou de uma farsa, que tudo foi projectado, muito provavelmente, para desenvolver não a (cada vez mais débil, extinta e, diria mesmo, inútil) agricultura nacional mas sim… o turismo! É óbvio que a área paisagista circundante como a própria construção em si privilegiam uma aposta no turismo naquela região. Mas passar de 480 camas previstas inicialmente no Plano de Ordenamento das Albufeiras do Alqueva e Pedrógão (POAAP) para 22.500, não será já uma injustificada alteração das circunstâncias?
Numa altura em que Portugal arrasta, desde há muito, o pesado fado do “estar na cauda da Europa” em termos de dívida pública, de descrença política e até de corrupção, esta situação de pura fraude política à volta do reordenamento do Alqueva, poderá constituir uma pesada e acentuada situação de desconfiança aos portugueses, exactamente o contrário do que o Governo – e bem – tem tentado incutir. Se sempre se confirmar, os portugueses sentir-se-ão enganados. E, desta feita, com razão.

2 Comments:

  • Lamentável...

    By Blogger Pedro Malaquias, at 07 junho, 2006 13:07  

  • O pior é que recordo-me de alguns velhos do Restelo( se bem me lembro o Miguel Sousa Tavares, p.ex) já receavam isto mesmo.
    E ainda a barragem não estava cheia, já organizações ambientalistas apelavam para não encher até à cota máxima, como creio que veio a acontecer. Pelos vistos não tinham razão, já que se fosse como queriam afectaria a qualidade e extensão dos campos de golfe...

    By Anonymous pepe, at 09 junho, 2006 17:09  

Enviar um comentário

<< Home