Devaneios de um Caminhante Solitário

02 junho, 2006

O Veto da Lei da Paridade

Cavaco Silva finalmente decidiu “sair da toca” e começar a exercer as suas reais funções de Presidente da República (sim, porque as suas opiniões sobre a táctica que Scolari deve - ou deveria, se desse ouvidos a alguém – não contam). Não votei em cavaco e, muito menos, sou cavaquista ou fiquei contente com a sua vitória. Mas não podia estar mais em acordo com a sua primeira medida “a sério”. Tal como expressei e defendi aqui, esta Lei da Paridade não poderia ter aspirado a nada mais do que isto: ser definitivamente (para lá caminha…) rejeitada.
De facto, acho que esta lei levanta, desde logo, um problema não só político mas também de carácter social. Em primeiro lugar, a escolha dos candidatos que se apresentam a eleições deve ser feita de um modo livre e consciente pelos cidadãos. Assim sendo, devem ser colocados pelos líderes dos partidos políticos, aqueles candidatos que se afiguram como os melhores e mais aptos a desempenhar as funções políticas do país. A escolha deve ser rigorosa, independente do sexo e, principalmente, aferida em função de critérios, única e exclusivamente, de mérito.

Em segundo lugar, porque razão deve uma mulher ser beneficiada na colocação de listas, só pelo facto de ser do sexo feminino, apesar de, na prática ser menos competente para a actividade política do que um homem colocado atrás dela e com a real possibilidade de não vir a ser eleito? Como é que uma mulher política – que independentemente de ser boa ou não profissional – se irá sentir com a sensação de que “só está aqui porque é mulher e não por ser, deveras, mais competente que os outros”?

Na minha opinião, a emancipação das mulheres é algo que é – sejamos sérios – positivo para uma sociedade mais justa, solidária e equilibrada. Mas esse processo de “paritarização” tem de ser feito sem qualquer tipo de interferência política, já que, o que está em causa é a mudança de mentalidades, e esta deve ser prosseguida de um modo natural, progressivo e sedimentado.
A única solução está na própria consciencializão dos portugueses de que, progressivamente, a mulher assumirá uma papel cada vez mais preponderante na sociedade. É isso que acontece hoje nos cursos superiores em que a esmagadora maioria dos licenciados (e do próprio ingresso) são do sexo feminino. É isso que acontecerá amanha – como consequência disso mesmo – nos mais altos cargos da sociedade. Se será benéfico ou não? Penso que o tempo nos revelará a resposta mas, sinceramente, encaro isso com a mesma naturalidade com que este processo devia ser feito.
Afinal, somos Seres Humanos, cuja maior ou menor capacidade, seja ela de inteligência, de liderança, de trabalho, ou que resulte num bom desempenho não advém em nada do facto de sermos homens ou mulheres. Se não assumirmos isto é cair numa falácia tão grande como… a própria “Lei da Paridade”.

4 Comments:

  • Eu acho que tu ainda vais votar Cavaco...

    By Blogger Pedro Malaquias, at 03 junho, 2006 01:53  

  • Não me custa admitir quando quem, apesar de não ter tido o meu apoio, toma as decisões acertadas. Neste caso, muito sinceramente, cavaco não fez nada de extraordinário. Limitou-se a vetar uma Lei que, manifestamente, não tinha "pés nem cabeça".

    By Blogger Caminhante Solitário, at 03 junho, 2006 04:37  

  • Aplaudo este veto. Não votei Cavaco Silva, mas tenho que reconhecer que, como mulher, me alegrou esta atitude do Presidente.

    Cumprimentos.

    By Blogger Cãocompulgas, at 05 junho, 2006 11:41  

  • A lógica da paridade, vinda do Norte da Europa, é que as mulheres são sempre umas coitadinhas que serão sempre por natureza discriminadas pelos homens se não tiverem direitos especiais, porque vivemos numa sociedade patriarcal.

    Pura e simplesmente ridículo.

    By Blogger Pedro Sá, at 06 junho, 2006 14:39  

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