Devaneios de um Caminhante Solitário

13 julho, 2006

Sócrates

Foi, esta noite, entrevistado no Telejornal da SIC. Como comunicador exímio que é, Sócrates manteve o discurso dos últimos tempos mas com uma preocupação centrada no facto de que a sua mensagem chegasse junto dos portugueses de forma directa e sem interferências. Recorreu assim, frequentemente, a exemplos não só da vida quotidiana mas também da própria acção do governo nas mais diversas áreas. E fê-lo de uma forma simples e auto-explicativa
Basicamente, o que se pode retirar do discurso do PM foi, na essencialidade, a Confiança. Ao definir um rumo objectivo das suas políticas, procurou centrar a acção do seu governo segundo 3 objectivos padrões: o “pôr ordem” no Estado-Administração (assumindo-se, Sócrates, ele próprio, como um “Reformista”); a garantia da sustentabilidade do Estado social (assente na melhor prestação de serviços à população); e o reequilíbrio das finanças públicas. Neste último ponto, Sócrates garantiu aquilo que os portugueses mais queriam ouvir: não vai aumentar os impostos. Mesmo confrontado com o facto de, no período eleitoral, ter prometido o mesmo, o primeiro-ministro, inteligentemente, explicou que hoje a situação é diferente. Na realidade, compete hoje ao governo garantir a redução do défice através de uma diminuição das despesas (de um Estado tão esbanjador como o nosso) e não de um aumento de receitas extraordinárias, absolutamente necessárias numa altura em que o défice real não correspondia ao que era transmitido…
Sócrates consegui ao longo de toda a entrevista manter uma postura e um discurso de extrema segurança e confiança em si mesmo que, quase a todo o custo, tenta transmiti-la ao país. E neste ponto sejamos justos: Sócrates é um visionário numa actual política portuguesa tão “morta” e repetitiva onde a ausência de representatividade do PSD, as mesquinhices do PP, as repetições dos Comunistas e a política barata do BE são as suas principais características .

P.S.- Uma última palavra ainda para a “laranja” Maria João Avillez. Acho que, no papel de pura entrevistadora esteve bastante mal uma vez que interrompia Sócrates sucessivamente, chegando mesmo a debater directamente com o seu… entrevistado. Todavia, percebe-se perfeitamente esta atitude. Com opções políticas bem definidas, Avillez tentou desempenhar, aqui, hoje, o que o líder do seu partido tentou fazer no dia anterior, no parlamento. E fê-lo bem melhor, convenhamos.

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