Devaneios de um Caminhante Solitário

18 setembro, 2006

Regresso

De volta ao mundo real, começo pelo jornalismo. Como em quase 130 mil (baseando-me na tiragem), o novo semanário - "Sol" - apareceu lá em casa. Confesso que ainda não interiorizei perfeitamente o saber ler um semanário. De facto, sinto alguma dificuldade em "pescar" no meio de tanta palha que por lá existe às toneladas. Ainda assim, após leitura em diagonal, o "Sol" pareceu-me menos tendencioso do que estava à espera (Nota: não, não há aqui nenhum trocadilho com o nome do Jornal, como qualquer dito bom comentador tem feito nestes últimos dias...). Sempre pensei que o surgimento de um novo semanário nesta altura do campeonato tivesse o mesmíssimo objectivo daquele que esteve na origem do já extinto "O Independente": afastar a maioria absoluta do poder. Pelo contrário, o novo jornal pareceu-me equilibrado e isento. Valeu, sobretudo, pela parte humurística causada pela entrevista a Maria Filomena Mónica que, a la José Mourinho versão feminina, desatou a apontar de um modo (demasiado) frontal diversas vicissitudes dos políticos da nossa praça. Gostei também do relato pormenorizado que se faz de todo o processo, desde ruptura à própria fundação do "Sol" e do modo em como "noticía" a acentuada perda de faculdades do "dono" da Comunicação, Pinto Balsemão. De facto, tomando como verdade aquilo que foi escrito, visualiza-se um Balsemão cada vez mais "embalsemado" com os sucessivos desastres da Impresa, onde pontifica a cada-vez-mais degradante SIC). Todavia, o "Sol" vale, esencialmente, pelo preço: 2 euros. É certo que não tem DVDs nem posters da Floribella, mas, mesmo assim, é capaz de compensar...
Outro tema "engraçado" foi o discurso de Ratzinger. Não vou sequer avaliar a sua aptidão para ser Bento XVI (porque, simplesmente, não o sei fazer) mas, é justo dizer, o novo papa disse algumas verdades. A questão que se coloca é se será oportuno um discurso deste teor e vindo de quem é. Passando a explicar melhor, parece-me óbvia, a mim, ocidentalista, a superioridade política e (porque não?) intelectual do Ocidente Democrático sobre um Oriente ensombrado pelo fundamentalismo religioso (ou seja, nem todo o Oriente) mas, será, na realidade, útil e correcto a um Papa propagandeá-la, ainda para mais quando (quer se queira, quer não) o líder político do Ocidente, é quem é?
Por último lugar, a Política. Neste aspecto, a única novidade é a tentativa - ridícula - de um "Bloco Central". A mando de Cavaco (e de Marcelo Rebelo de Sousa, é justo dizê-lo...), Marques Mendes tentou "socio-democratilizar" uma parte do Governo que, por acaso, até tem maioria absoluta. Concordo que em certas áreas, as chamadas de "fundamentais de um Estado de Direito Democrático" exista a necessidade de um maior concenso do que daquele que existe com os 153 deputados. Mas daí até Marques Mendes "pôr-se em bicos dos pés" e tentar, qual espécie de Primeiro-Ministro não eleito, transformar o dito acordo numa coligação... De fora do Consenso, ficaram os partidos da esquerda. Também, todos sabíamos qual seriam as suas posíções, não? (Nota: o lapso da falta de referência ao PP é propositado...).
Enfim, após algum tempo de ausência, o mundo e, em particular, o país está tal e qual como quando o deixei de comentar. Mais do mesmo.

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