Devaneios de um Caminhante Solitário

20 outubro, 2006

As Taxas Moderadoras

O ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmou hoje que o aumento das taxas de internamento e para cirurgias ambulatórias terá um impacto financeiro de cerca de nove milhões de euros (9 M€) no próximo ano.

Muito sinceramente, não consigo entender este gigantesco alarido por causa de um taxa moderadora absolutamente simbólica. Quando o custo médio da diária de um internamento num Hospital é de 480 euros, uns meros 5 euros por dia não pecará, afinal, por defeito? Pelos menos pode ser que dissuada as estadias grátis de muitos (demasiados, leia-se) utentes... Qualquer dia ainda se lembram de se barricar num centro de saúde.

5 Comments:

  • Se tudo fosse assim tão simples. Vamos, mais uma vez, recorrer à calculadora (e à vida real).
    A taxa vai ser aplicada até um máximo de 14 dias, logo, estamos a falar de 70€; tendo em conta que existem pensionistas que recebem 225€, não te parece que levar aproxidamente 31% da reforma de um idoso é uma política, no mínimo, criminosa? Especialmente quando falamos de uma faixa etária que dispende grande parte do seu (parco, na maioria dos casos) orçamento disponível em medicamentos (caros, porque os médicos recusam passar genéricos) e, já agora, em comida...

    Se as pessoas são internadas, é porque não têm escolha (essa decisão parte dos médicos), e se lá permanecem é mais uma vez porque alguém lho permite.
    Estás a misturar duas temáticas, que na minha opinião, nada têm entre si.

    Para dissuadir "as estadias grátis de muitos (demasiados, leia-se) utentes", é simples: é cumprir as regras de internamento! o resto é fogo-de-artíficio...

    By Blogger Jota, at 20 outubro, 2006 22:19  

  • Subscrevo o que o jota disse. Se fosse outro o Governo, imagino o que o PS não diria...

    By Blogger Pedro Malaquias, at 21 outubro, 2006 01:31  

  • Desde logo, Jota, não leste (pelo menos, de um modo correcto) a medida e, por conseguinte, as tuas críticas são infundadas (e, por arrasto, o mesmo serve para o Malaquias). O Governo pretende introduzir uma taxa limitada que nunca excederá os 5e por dia num máximo de 10 dias! É uma medida que, para além de estar em vigor em vários países da Europa, isenta 55% dos portugueses - desde logo os pensionistas... - mas também os portugueses de baixo rendimento, doentes crónicos, mentais, com sida, diabéticos e até dadores de sangue e bombeiros! É uma medida que na minha perspectiva visa não só atenuar a influência excessiva e, na maior partes das vezes, desnecessária de internamentos, ajudando a combater o défice no sector da saúde mas que, igualmente, consegue ter justiça social.

    By Blogger Caminhante Solitário, at 21 outubro, 2006 04:46  

  • Depois de reler o artigo que serve de fundo ao teu post, fico com duas ideias-chave:

    1) Quando estivermos perante o projecto-lei, veremos qual o seu aspecto final; no meu comentário, baseei-me na ve~rsão inicial, ou seja, naquela que maior impacto teve; se neste momento exsitem mudanças, prefiro guardar os comentários para mais tarde;

    2) por esta frase, "Perante os deputados do PS, Correia de Campos afirmou que o Serviço Nacional de Saúde estaria a prazo em causa com a acumulação de défices e garantiu também que a reorganização das urgências hospitalares será feita pelo Governo em diálogo e recolhendo os contributos do Parlamento, das autarquias e de entidades relacionadas com a reforma.", que está no artigo, reafirmo tudo o que disse no 2º e 3º parágrafos do comentário inicial.
    Não deves reorganizar um serviço "cortando" o seu acesso através de taxas. Isso é socialmente reprovável.

    Como tal, as minhas críticas não são infundadas...

    By Blogger Jota, at 21 outubro, 2006 13:38  

  • Mea culpa quanto ao facto de não conhecer o estado actual do decreto a aprovar. No entanto, não se pode utilizar o argumento "se os outros têm, nós também podemos ter", já que os rendimentos dos portugueses não se podem comparar à maioria dos rendimentos dos cidadãos dos restantes paises europeus.

    By Blogger Pedro Malaquias, at 21 outubro, 2006 21:25  

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