Devaneios de um Caminhante Solitário

20 outubro, 2006

A Pergunta do Aborto

Aborto: Proposta de referendo aprovada pelo PS, PSD e BE

Parece que, à terceira tentativa, vai mesmo (até ver...) haver referendo. Do debate na A.R. de hoje, o ponto mais alto foi a própria... pergunta (Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?)! Serviu, essencialmente, para mostrar que o CDS ainda tem um ou dois deputados que dizem qualquer coisa (mesmo que ridícula); para, finalmente, o B.E. ter uma "vitoriazinha"; para fomentar o carácter pluralista do PS e do PSD com deputados seus a absterem-se; e para o PCP demonstrar que não consegue - ideologicamente - votar favoravelmente em qualquer-proposta-de-qualquer-Governo-de-qualquer-Partido-que-seja (desculpem a cassete...).

P.S.- Uma boa notícia: Odete Santos suspende mandato por 50 dias na sexta-feira
É que já não há paciência...

4 Comments:

  • Apesar de achar estranho ver PSD e Be a votarem do mesmo lado, não estranho o voto contra do PCP.
    O seu argumento (discutível, obviamente) é que não era necessário submeter a despenalização do aborto a referendo, uma vez que a AR poderia efectuar essa alteração.
    Se é ou não cassete, não tenho opinião sobre isso.

    A do "carácter pluralista" é engraçada... Que bom, os deputados puderam votar de acordo com a sua consciência. Que vitória para a democracia!

    Um último reparo: não podia faltar a farpa, pois não?
    "para, finalmente, o B.E. ter uma "vitoriazinha"?!?!?!?!?
    Por favor! Desde qd um assunto que o BE sempre puxou para a primeira linha das suas propostas pode ser considerada uma "vitoriazinha"?
    Desde qd um tema que tanta celeuma levanta pode ser encarado assim?

    Espero que mantenhas este tema debaixo de olho; porque qd a Igreja Católica começar a fazer campanha, nas missas de Domingo, é altura de mais uma vez olhar para este país como ele defacto é: um país demasiado atrasado, em mentalidades!

    By Blogger Jota, at 20 outubro, 2006 22:35  

  • Eu acho que o PCP tem razão, mas eu não gosto de referendos...

    Quanto ao PP, achei divinal a intervenção.

    E, realmente, a história do carácter pluralista tem mesmo muita graça. É uma das maiores hipocrisias das democracias hodiernas... porém, parece que é melhor isso do que a instabilidade da Primeira República... Um dia ainda hei-de de publicar algo sobre isso.

    By Blogger Pedro Malaquias, at 21 outubro, 2006 01:30  

  • Em relação às críticas do P.C., obviamente sou frontalmente contra. E por uma simples razão: houve, no passado recente um referendo que, apesar de ter tido a resposta e a adesão que teve, foi uma consulta popular. Trata-se, por outro lado, de uma questão que estando para além da política, situa-se no campo da consciência e nos valores morais de cada pessoa. Assim sendo, o referendo impunha-se. O P.C. votou contra, mas... esse mesmo sentido de voto não será já, ele próprio, uma "cassete"?
    A questão da pluralidade é, também ela, muito simples: apesar de, neste ponto, poder estar de acordo com o Malaquias, é sempre saudável ver que, por exemplo, duas deputadas do P.S. votaram contra a proposta do próprio partido e assumiram as suas vontades morais" contra a opinião da bancada onde têm lugar.
    Em relação ao B.E., quem viu Francisco Louçã no parlamento pensa que... o referendo já foi ganho! E por mérito exclusivo do B.E.!
    Em relação ao que dizes da Igreja Católica, estou plenamente de acordo. Acho justo e compreendo que a Igreja (como é o caso do Ps ou do PSD), como Instituição defenda uma posição, mas acho que a pressão e a imposição que fazem nas missas semanais são, absolutamente, inaceitáveis. Trata-e, antes de uma opção religiosa, uma opção conjugada de valores e racionalidade/socialidade...

    By Blogger Caminhante Solitário, at 21 outubro, 2006 04:55  

  • A pluralidade não é saudável, é normal.
    A violência de impôr um sentido de voto é que deve ser motivo de nota, não o contrário...
    No que respeita ao BE, penso que no minímo deve ser-lhes reconhecido o mérito de nunca ter deixado cair o tema no esquecimento. Penso que Louçã tinha isto em mente, aquando da sua reacção, no Parlamento.

    By Blogger Jota, at 21 outubro, 2006 13:30  

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